
O Legado do Renascimento
"Podemos dizer sem exagero que no Renascimento a humanidade começou a se libertar das condições que lhe era imposta pela natureza. O homem deixou de ser apenas uma parte da natureza. A natureza passou a ser algo que se podia usar e explorar. "saber é poder", dizia o filósofo inglês Francis Bacon, sublinhando com isso a aplicação da prática do conhecimento. E isto era uma coisa nova. A humanidade passou a intervir na natureza e a querer controlá-la.
_ Mais isto não foi uma coisa positiva?
_ Sim e não. Vamos retomar aqui os fios do bem e do mal que se entrelaçam em tudo o que o homem faz. A ruptura tecnológica iniciada no Renascimento levou aos teares e ao desemprego, aos remédios e as novas doenças, a eficiência controlada da agricultura e a exploração da natureza, aos novos utensílios como máquinas de lavar e geladeiras, e também a poluição ambiental e as montanhas de lixo. O fato de assistirmos hoje a terrível degradação de nosso meio ambiente levou muitos a ver a ruptura tecnológica como um perigoso desvio das condições de vida que nos são dadas pela natureza. Para estas pessoas, o homem colocou em marcha um processo que não pode mais controlar. Outros, mais otimistas, acreditam que ainda nos encontramos na "infância" da tecnologia. A civilização tecnológica, acreditam eles, também tem suas "doenças de infância"; mas no fim os homens vão aprender a controlar a natureza, sem com isto ameaçá-la em seus pontos vitais"
GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo, companhia das letras, 1998.
1. O texto anterior introduz uma discussão muito polêmica entre os estudiosos, centrada nos efeitos produzidos por uma concepção de homem como um ser soberano, senhor da natureza e de seu próprio destino, capaz de manipular plantas, rios, minérios e outros recursos naturais. Com base nisso, comente os principais problemas ambientais da atualidade. Procure refletir sobre as duas visões apresentadas no texto e se posicione diante delas.